terça-feira, 9 de dezembro de 2025

🎙️Entrevista - LEONEL'S FAULT (por Miguel Correia)

 


Leonel’s Fault, a força de uma amizade que encontrou voz no heavy metal

Nascidos de uma ligação que vem dos tempos do secundário, os Leonel’s Fault afirmam se hoje como uma das novas propostas a ter em debaixo de olho do heavy metal português. Trazem consigo experiência acumulada em vários projetos de referência, uma química criativa fortalecida por anos de amizade e uma vontade clara de equilibrar revivalismo e modernidade sem ficarem presos ao passado. Em 2025 deram o primeiro passo oficial nos palcos, já com o novo vocalista a consolidar a identidade do grupo e a elevar a sua energia. Nesta entrevista, a banda revisita as origens, explica a dinâmica criativa, fala sobre o impacto da nova formação e partilha a visão para o futuro.


Leonel’s Fault nasce de uma amizade que vem ainda do secundário, com anos de partilha de influências e paixão pelo heavy metal. O que é que ainda hoje sobrevive desses primeiros tempos, quer em termos de química entre vocês, quer na forma como escrevem e tocam juntos?


Como referiste e bem, o que prevalece e valoriza cada momento é a amizade, sendo ela mais recente ou não, e a relação de respeito entre todos, que vai muito além de quem toca ou canta. A composição é fruto desta relação e vem de todos os membros, sendo o registo de cada um tempero por assim dizer, para ter o sabor final de quando se cria algo. De qualquer forma o que nos “cola” é a música, em particular o Metal.



Todos trazem experiência de bandas como Sarcastic, The Godspeed Society, Sunya, Outcry, Utopia, Darwin’s Revolt e Amplify, o que é uma bagagem de peso no contexto português. Que aprendizagens desses projetos anteriores foram mais importantes para construírem a identidade e para evitarem repetir erros do passado?


Creio que falo por todos ao dizer que não basta tocar bem, temos a perfeita noção que ser banda é muito mais que ensaios e concertos. Hoje com as plataformas digitais e redes sociais a possibilidade de alcançar mais público está ao nosso dispor, desde que haja investimento nesta dimensão. Estamos também mais adultos e com isso a necessidade de equilibrar a família, o trabalho e outros hobbies que existam. A gestão de agora é diferente da adolescência, o respeito, o compromisso e a amizade são pilares fundamentais, sem isto uma banda não consegue sobreviver, independentemente do seu sucesso.



Descrevem a vossa música como um equilíbrio entre revivalismo
e inovação, com referências claras ao heavy metal clássico, mas também com novas texturas e uma produção moderna. Na prática, como é que gerem essa fronteira entre homenagear as raízes do género e não ficarem presos à nostalgia?


Acho que o segredo é esse, não ver a coisa como uma fronteira, mas sim algo permeável ao que nos faz sentir bem, algo honesto. Não procuramos uma determinada sonoridade para encaixar num qualquer arquétipo, criamos e tocamos o que nos soa bem, inevitavelmente todas as influências adquiridas por cada um até ao momento acabam por trazer ondas mais revivalistas ou mais modernas, mais negras ou mais blues.



Falam em riffs pesados, atmosferas intensas e uma energia crua, tanto em estúdio como ao vivo. Quando estão a compor, pensam primeiro no impacto que o tema terá em palco, ou deixam que a música nasça de forma mais instintiva e depois adaptam ao formato concerto?


Para ser sincero não pensamos nos outros, o processo criativo é até bastante simples, alguém traz para o estúdio um riff novo e, se gostarmos, construímos a partir daí, adicionando novas partes ou alterando o original e com cada elemento a adicionar a sua parte, tudo polvilhado pela parte mais divertida e exasperante, as discussões sobre o “caminho a seguir, onde fica o refrão, as quebras, quem entra aqui e acolá, etc…



Em 2025 o atual vocalista entrou para a banda e isso trouxe uma nova energia ao som do grupo. O que mudou concretamente com esta entrada, quer na forma de compor quer na forma de comunicar a mensagem das músicas?


Efetivamente com a entrada do Leonel (a culpa é dele) a banda ficou mais coesa pois ele trouxe só uma energia contagiante como também uma performance vocal que é difícil de encontrar. Depois, como pessoa, encaixou de forma perfeita com todos os elementos. O seu potencial leva a banda a aspirar a muito mais.



O primeiro concerto em 2025 marcou a vossa estreia pública e a entrada oficial na cena. Como foi esse momento para vocês, que memórias guardam desse dia e que tipo de feedback receberam do público em relação ao vosso som e presença em palco?


O primeiro concerto foi efetivamente um momento para recordar para sempre. Todas as expectativas foram largamente superadas, o nosso som foi bem acolhido e todos os feedbacks que nos chegaram fazem-nos acreditar que poderemos ter caminho interessante pela frente, divertido será certamente.



Olhando para o futuro próximo, que passos imaginam como fundamentais para consolidar a banda, desde gravações, videoclipes e concertos até possíveis colaborações ou até uma linha conceptual mais definida para um primeiro álbum completo?


Desde o início que temos as nossas expectativas bem presentes, mas também os pés assentes no chão. Dizer que não sonhamos com cenários futuros em vários contextos seria uma não verdade. A forma como as coisas acontecem agora em questões de divulgação, agenciamento, edição e forma de trabalhar mudou imenso desde que todos nós entramos neste mundo. Agora tudo se passa no digital para chegar rapidamente a muita gente e não precisas necessariamente de um álbum para seguires caminho. Penso que o segredo é conseguires, com o repertório que já tens, dar a conhecer “ao mundo”, captar a curiosidade e o interesse do público e de quem nos pode levar mais longe, isto enquanto criamos som novo. Entender bem os feedbacks que nos vão chegando sobre o que fazemos é o primeiro passo para definir estratégias. O mercado musical é cada vez mais um organismo vivo que está constantemente em mutação. Na altura certa logo saberemos se e quando estaremos em condições de gravar um álbum. E sim, dar muitos concertos





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