Nascidos de uma ligação que vem dos tempos do secundário, os Leonel’s Fault afirmam se hoje como uma das novas propostas a ter em debaixo de olho do heavy metal português. Trazem consigo experiência acumulada em vários projetos de referência, uma química criativa fortalecida por anos de amizade e uma vontade clara de equilibrar revivalismo e modernidade sem ficarem presos ao passado. Em 2025 deram o primeiro passo oficial nos palcos, já com o novo vocalista a consolidar a identidade do grupo e a elevar a sua energia. Nesta entrevista, a banda revisita as origens, explica a dinâmica criativa, fala sobre o impacto da nova formação e partilha a visão para o futuro.
Leonel’s Fault nasce de uma amizade que vem ainda do secundário, com anos de partilha de influências e paixão pelo heavy metal. O que é que ainda hoje sobrevive desses primeiros tempos, quer em termos de química entre vocês, quer na forma como escrevem e tocam juntos?
Como referiste e bem, o que prevalece e valoriza cada momento é a amizade, sendo ela mais recente ou não, e a relação de respeito entre todos, que vai muito além de quem toca ou canta. A composição é fruto desta relação e vem de todos os membros, sendo o registo de cada um tempero por assim dizer, para ter o sabor final de quando se cria algo. De qualquer forma o que nos “cola” é a música, em particular o Metal.
Todos trazem experiência de bandas como Sarcastic, The Godspeed Society, Sunya, Outcry, Utopia, Darwin’s Revolt e Amplify, o que é uma bagagem de peso no contexto português. Que aprendizagens desses projetos anteriores foram mais importantes para construírem a identidade e para evitarem repetir erros do passado?
Creio que falo por todos ao dizer que não basta tocar bem, temos a perfeita noção que ser banda é muito mais que ensaios e concertos. Hoje com as plataformas digitais e redes sociais a possibilidade de alcançar mais público está ao nosso dispor, desde que haja investimento nesta dimensão. Estamos também mais adultos e com isso a necessidade de equilibrar a família, o trabalho e outros hobbies que existam. A gestão de agora é diferente da adolescência, o respeito, o compromisso e a amizade são pilares fundamentais, sem isto uma banda não consegue sobreviver, independentemente do seu sucesso.
Descrevem a vossa música como um equilíbrio entre revivalismo
e inovação, com referências claras ao heavy metal clássico, mas também com novas texturas e uma produção moderna. Na prática, como é que gerem essa fronteira entre homenagear as raízes do género e não ficarem presos à nostalgia?
Falam em riffs pesados, atmosferas intensas e uma energia crua, tanto em estúdio como ao vivo. Quando estão a compor, pensam primeiro no impacto que o tema terá em palco, ou deixam que a música nasça de forma mais instintiva e depois adaptam ao formato concerto?
Para ser sincero não pensamos nos outros, o processo criativo é até bastante simples, alguém traz para o estúdio um riff novo e, se gostarmos, construímos a partir daí, adicionando novas partes ou alterando o original e com cada elemento a adicionar a sua parte, tudo polvilhado pela parte mais divertida e exasperante, as discussões sobre o “caminho a seguir, onde fica o refrão, as quebras, quem entra aqui e acolá, etc…
Em 2025 o atual vocalista entrou para a banda e isso trouxe uma nova energia ao som do grupo. O que mudou concretamente com esta entrada, quer na forma de compor quer na forma de comunicar a mensagem das músicas?
O primeiro concerto em 2025 marcou a vossa estreia pública e a entrada oficial na cena. Como foi esse momento para vocês, que memórias guardam desse dia e que tipo de feedback receberam do público em relação ao vosso som e presença em palco?
O primeiro concerto foi efetivamente um momento para recordar para sempre. Todas as expectativas foram largamente superadas, o nosso som foi bem acolhido e todos os feedbacks que nos chegaram fazem-nos acreditar que poderemos ter caminho interessante pela frente, divertido será certamente.
Olhando para o futuro próximo, que passos imaginam como fundamentais para consolidar a banda, desde gravações, videoclipes e concertos até possíveis colaborações ou até uma linha conceptual mais definida para um primeiro álbum completo?
Desde o início que temos as nossas expectativas bem presentes, mas também os pés assentes no chão. Dizer que não sonhamos com cenários futuros em vários contextos seria uma não verdade. A forma como as coisas acontecem agora em questões de divulgação, agenciamento, edição e forma de trabalhar mudou imenso desde que todos nós entramos neste mundo. Agora tudo se passa no digital para chegar rapidamente a muita gente e não precisas necessariamente de um álbum para seguires caminho. Penso que o segredo é conseguires, com o repertório que já tens, dar a conhecer “ao mundo”, captar a curiosidade e o interesse do público e de quem nos pode levar mais longe, isto enquanto criamos som novo. Entender bem os feedbacks que nos vão chegando sobre o que fazemos é o primeiro passo para definir estratégias. O mercado musical é cada vez mais um organismo vivo que está constantemente em mutação. Na altura certa logo saberemos se e quando estaremos em condições de gravar um álbum. E sim, dar muitos concertos


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