Os brasileiros Éter na Mente são um dos nomes mais singulares a surgir da cena rock de Fortaleza na última década, nascidos em 2014 no coração da periferia e marcados por uma vivência que se reflete de forma intensa tanto nas letras como na sonoridade. O grupo construiu uma identidade própria ao misturar blues rock, punk, grunge, hardcore, ska, metal contemporâneo e poesia política, sempre com uma postura crítica perante a realidade social brasileira. O resultado é um rock experimental que desafia rótulos, movido pela liberdade criativa e pela urgência de expressão.
Com uma presença constante na cena cultural cearense, passando por festivais como o Sarau Farol Rock e o Projeto Guetos Urbanos, e liderando iniciativas como o Focaos e a Farofa no Farol do Mucuripe, a banda tem sido um motor ativo na construção de espaços independentes para artistas locais. Entre mudanças de formação, laboratórios musicais e uma crescente maturidade em palco, os Éter na Mente continuam a expandir o seu som e o seu alcance.
Nesta entrevista, conversámos com Gleison Cruz, vocalista e um dos pilares criativos da banda, que partilha a visão, as dificuldades, a força e a paixão que moldam este projeto que resiste, provoca e inspira.
Éter na Mente nasceram na periferia de Fortaleza e trazem essa vivência de forma muito clara nas letras e na sonoridade. De que maneira a realidade social do Ceará molda a identidade artística da banda?
As mazelas sociais no qual vivenciamos cotidianamente, serviu e serve para nos tornar uma banda que carrega um forte senso crítico diante de tudo isso, onde a resistência contra um sistema voraz e cruel se faz necessário. Vestir a armadura da consciência para nos blindar das falácias e da corrupção e mostrar isso em nosso comportamento no palco e nas letras, pois entendemos que a música é uma forte arma contra os nossos opressores.
O vosso estilo cruza blues rock, punk, grunge, hardcore, ska e new metal, criando um rock experimental difícil de encaixar em rótulos. Como gerar essa liberdade criativa no processo de composição sem perder coesão enquanto banda?
Todos os integrantes trazem estilos diferentes nas suas bagagens e na construção das músicas eles têm a liberdade para sugerir e mostrar as ideias de cada um nos arranjos, modificar e experimentar sonoridades e efeitos nas composições e isso torna a nossa construção musical mais interessante, todos tem a liberdade de criar, é uma construção coletiva e ao mesmo tempo individual. Portanto, não ter rótulos e códigos é inevitável e não nos importamos com isso, porque não há como seguir um padrão musical com tantas ideias novas surgindo a cada música, o mais importante é o resultado final.
As letras poéticas e políticas são uma marca central do seu trabalho. Como decidir quais temas sociais ou existentes merecem transformar-se em música e que abordagem procurar ao escrever?
Não há uma regra exata na construção dessas músicas, tudo surge do nada ou de algo que está muito inflamado na sociedade e, naturalmente, começa a incomodar todo mundo, então pode surgir primeiro de um rif ou de um cantarolar que se transforma em letra, de um pequeno rabisco numa folha, duma batida na perna ou numa caixa, de um assobio, tudo pode criar vida a qualquer momento, é bem circunstancial.
Em 2017 lançaram Meu Século, fruto de um laboratório musical. O que aprenderam com essa experiência e como ela influenciou a evolução sonora de Éter na Mente nos anos seguintes?
Meu Século tornou-se numa das músicas que mais nos representa por muitos motivos, foi uma das primeiras a ser feita, tem uma letra muito crítica, a primeira autoral a ser ensaiada e gravada, onde tivemos todo um cuidado na gravação para que saísse exatamente como queríamos. Ela hoje é uma das mais conhecidas, e alcançou uma das grandes marcas de ouvintes e seguidores nos streamings, nas redes sociais, em coletâneas e nos shows algumas pessoas já cantam com a gente. É uma das músicas que não podemos deixar de fora da setlist nos shows.
Vocês participam ativamente da cena cultural cearense, organizando eventos como o “Focaos” e a “Farofa” no Farol do Mucuripe. O que vos motiva a criar espaços culturais próprios e que impacto sente que isso tem na comunidade artística local?
Bem, nós já sentimos na pele várias vezes, principalmente no início de nossa carreira, o que é ficar de fora de grandes eventos. Não é justo e não é nada bom principalmente para as bandas underground, independentes, que já são tão desprezadas. Foi a pensar em juntar o útil ao agradável que resolvemos fazer nós mesmos os nossos festivais, aproveitando o nosso território que tem picos bem interessantes e pouco explorados, convidando potenciais parceiros a fortalecer o movimento e a cena local, dando assim oportunidade, de uma forma digna aos artistas da nossa cidade, movimentando a economia local e dando vida ao lugar. E pensamos inclusive, aos poucos expandir esses eventos para mais bairros e até para outras cidades, dependendo dos patrocínios que conseguirmos ou até mesmo editais e licitações.
Ao longo dos anos a formação da banda tem sido fluida, com entradas e saídas de membros. Como essa rotatividade contribuiu para a expansão da sua sonoridade, e o que cada fase trouxe de diferente ao projeto?
Essa parte é a mais complicada, porque sempre que sai um membro e entra outro, atrasa todo um processo de ensaio, gravações e desorganiza até a agenda de shows no qual já chegamos a ter que cancelar porque não conseguimos substituir um determinado integrante há tempo antes do dia do evento. A parte boa é que sempre há uma diferença de um musicista para outro, um tem uma forma de pensar e tocar e outro de outra forma, isso traz-nos experiências e dá-nos a possibilidade de experimentar mais opções de ideias ao fazer ou tocar uma música.
Vocês já passaram por festivais como o Sarau Farol Rock e o Projeto Guetos Urbanos, dividindo palco com bandas de peso. Que mudanças sentiram no vosso desempenho ao vivo e na relação com o público desde essas experiências?
Em cada apresentação que fazemos, naturalmente, a nossa experiência, maturidade e dá-nos a oportunidade de entender o que o nosso público espera e deseja de nós. Tocar com outros nomes de peso traz-nos uma carga de responsabilidade muito grande e ao mesmo tempo nos abre outros espaços no qual ainda não tínhamos pisado antes e isso é o preço de estar em evidência na cena e é claro, é impagável.
[Entrevista traduzida para português depois do vídeo]
Naraka, a French band founded in 2019 by its guitarist Jean-Philippe Porteux, blends modern metal and death metal with symphonic touches and even some electronic elements. Four years after "In Tenebris," their debut album, the band released its successor, "Born In Darkness," last October via Art Gates Records.
Who are Naraka?
Naraka is a modern metal band from France who combine different styles of metal such as modern metal, death metal and some elements from black metal as orchestrations and atmospheres.
What is the meaning of Naraka and why was this name chosen for the band?
Naraka means “Hell” in Indian mythology so it’s perfect for a metal band 😉but in fact we search for a band name easy to learn and to say in live, in just one word.
Born in Darkness, the name of your most recent album, is a powerful title. What does it represent for the band?
It represents for the band all about what we can hear in metal and all about devil and hell, but it’s more Deep. It’s represent that today as a human, live in this world is a comparison to be born in darkness, because all is crazy and nothing go in the right way to be better!
How does this new album evolve in relation to the previous work, In Tenebris?
There is an evolution in the sound, it’s again more powerful and there is an evolution in songwriting, there are more melodies, more atmosphere, the álbum in total length is not always speed, there are many parts to breathe.
What are the lyrics of Born in Darkness about? What is the concept behind the lyrical composition?
As I said it’s something metaphoric, not speak about the demon ect… but the feeling we got as human as the world is mad and nothing is done to be better. There is too an ecological message as it's been in darkness, when we see all humans do as worst.
The entire image of this album, starting with the fantastic album cover, evokes something between the human, the animalistic and the ritualistic. Do the religious and the profane walk side by side in Naraka?
Yes, we can say that ¡ but we search for a representation of this hell, but as a painting, and we found this great artist Andreas Bathory who did a great job on this cover artwork. Naraka is a frontier of different metal styles in lyrics too.
Since Naraka is a French band, why did you choose the English language?
Because all metal bands here in France do the same, I think English is better than French to do rock or metal, it’s the language of rock, and to have a chance to play everywhere it’s the best choice.
Tell us a little about the heavier music scene in France.
In France we got many goods bands and many more go to International, so we are in a Good mood at this time!
What sonic influences shaped this work?
Our influences are more bands from the 90's or 2000’s for the songwriting but very modern sound about the production. We worked with Logan Madero on this álbum and on the previous one and he knows how to make sound modern, massive but to keep the essence of the bands and how songwriting is done.
How has the reception been from fans and the press for Born in Darkness?
For the moment, very good, we got only good reviews and very good feedback from people. We just came back from an European tour with Cradle of Filth and Suffocation and the news songs were great live, many people came to see us after saying it was a very good discovery !
With 2025 drawing to a close, what can you reveal about your plans and wishes for 2026?
For 2026 we got many dates and festivals and we will begin recording the next one for a reléase I think about 2027!
Thank you 😉
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Naraka, banda francesa fundada em 2019 pelo seu guitarrista Jean-Philippe Porteux, funde metal moderno e death metal com toques sinfónicos e até alguma electrónica. Quatro anos depois de "In Tenebris", o álbum de estreia, a banda lançou o seu sucessor "Born In Darkness", no passado mês de Outubro pela Art Gates Records.
Quem são os Naraka?
Os Naraka são uma banda de metal moderno de França que combina diferentes estilos de metal, como o metal moderno, o death metal e alguns elementos de black metal, como orquestrações e atmosferas.
Qual o significado de Naraka e porque foi escolhido este nome para a banda?
Naraka significa "Inferno" na mitologia indiana, por isso é perfeito para uma banda de metal 😉 ma, na verdade, procurávamos um nome fácil de aprender e de pronunciar ao vivo, em apenas uma palavra.
Born in Darkness, o nome do vosso mais recente álbum, é um título poderoso. O que representa para a banda?
Representa tudo o que podemos ouvir no metal e tudo sobre o diabo e o inferno, mas é mais profundo. Representa que, enquanto ser humano, viver hoje neste mundo é como nascer na escuridão, porque tudo é loucura e nada corre bem para melhorar.
De que forma evoluiu este novo álbum em relação ao trabalho anterior, In Tenebris?
Há uma evolução no som, que se tornou mais poderoso, e também na composição, com mais melodias e atmosfera. O álbum, na sua duração total, não se resume à velocidade; há muitos momentos para respirar.
De que falam as letras de Born in Darkness? Qual é o conceito por detrás da composição lírica?
Como disse, é algo metafórico, não se trata de demónios, etc., mas sim da sensação que temos enquanto humanos de que o mundo está insano e nada é feito para melhorar. Existe também uma mensagem ecológica, pois estamos na escuridão, quando vemos todos os humanos a agir da pior forma possível.
Toda a imagem deste álbum, começando pela fantástica capa, evoca algo entre o humano, o animal e o ritualístico. O religioso e o profano caminham lado a lado em Naraka?
Sim, podemos dizer que sim! Mas procurámos uma representação deste inferno em forma de pintura e encontrámos o grande artista Andreas Bathory, que fez um trabalho incrível com a arte da capa. Naraka é a fronteira entre os diferentes estilos de metal, incluindo nas letras.
Uma vez que os Naraka são uma banda francesa, por que razão escolheram cantar em inglês?
Porque todas as bandas de metal aqui em França fazem o mesmo, e eu acho que o inglês é melhor do que o francês para fazer rock ou metal. É a língua do rock, e para se ter a hipótese de tocar em qualquer lugar, é a melhor escolha.
Fala-nos um pouco sobre a cena musical mais pesada em França.
Em França, temos muitas bandas boas e muitas chegam ao panorama internacional, por isso estamos num bom momento.
Que influências sonoras moldaram este trabalho?
As nossas influências vêm de bandas dos anos 90 ou 2000 em termos de composição, mas com um som muito moderno na produção. Trabalhámos com Logan Madero neste álbum e no anterior, e ele sabe como criar um som moderno e forte, sem perder a essência das bandas e a essência da composição.
Como tem sido a recepção dos fãs e da imprensa a Born in Darkness?
Até ao momento, muito boa! Só recebemos críticas positivas e um feedback muito bom por parte das pessoas! Acabámos de regressar de uma digressão europeia com os Cradle of Filth e os Suffocation, e as novas músicas foram excelentes ao vivo! Muitas pessoas vieram ter connosco, a dizer que foi uma grande descoberta!
Com 2025 a chegar ao fim, o que podes revelar sobre os vossos planos e desejos para 2026?
Para 2026, temos muitas datas e festivais marcados e vamos começar a gravar o próximo álbum, para lançamento em 2027!
Colírio Elétrico: onde o caos urbano se transforma em rito, poesia e som
Do Brasil chegam-nos os Colírio Elétrico, projeto que nasce num território específico, intenso e vivo. Peixinhos, em Olinda, não serve apenas como origem geográfica, serve como fundamento estético e como força motora de toda a expressão artística do grupo. A banda descreve o bairro como um lugar onde “o caos urbano particular, as ladeiras vivas e o trânsito de vozes, ritmos e conflitos” funcionam como laboratório sensorial permanente. É dessa mistura bruta que surge um som que desperta e que pulsa, “elétrico porque pulsa, colírio porque desperta”.
O Movimento Cultural Boca do Lixo contribui para moldar o espírito da banda. Ali, a atitude periférica, crítica e visceral é uma escola de resistência estética. A Colírio Elétrico afirma que leva para o palco “uma postura que não é pose, é vivência”, onde a sujeira se torna linguagem e o grito se torna poesia. O Festival Natora acrescenta a dimensão do encontro, um terreno fértil onde blues, rock, ruído, dança e improviso se dissolvem. A banda resume essa experiência ao dizer que ali aprendeu a navegar “entre o erudito e o popular, o caos e o rigor”.
As influências de Paulo Guimarães são parte estrutural dessa identidade. Com formação na Orquestra Sinfónica do Recife e uma escrita literária marcada por imagens intensas, Paulo cria pontes improváveis dentro da estética crua da banda. Os músicos reconhecem que “a disciplina orquestral e a imaginação indomável da literatura” geram a fricção que alimenta arranjos, sopros narrativos e letras visionárias. Daí nasce um som que se expande além da simples canção.
A criação acontece como escuta ativa do território. A banda explica que trabalha como quem recolhe “faíscas no meio da rua” para as transformar em fogo. Os ruídos quotidianos, as conversas atravessadas e os vendedores de esquina são matéria-prima de uma música que se constrói a partir do real. No palco, esta abordagem torna-se rito cénico. A banda afirma que a performance “não é reprodução, é reinvenção”, onde ruídos são mixados ao vivo, a poesia se estende e o improviso ocupa o lugar central.
A relação entre palavra e som segue a mesma lógica de liberdade. Não existe uma hierarquia rígida. Segundo a própria banda, “o que vem primeiro é a atmosfera, o estado poético que se decide convocar naquele momento”. Há espetáculos em que o poema abre caminho e outros em que o som cria a porta por onde o texto atravessa. Para a Colírio Elétrico, “a poesia acende a música, a música expande a poesia”, e juntas constroem um espetáculo que se aproxima mais de um ritual do que de um concerto tradicional.
Os espaços comunitários e independentes são fundamentais para a banda se manter viva. Eventos como o Sarau da Boa Vista, o Festival Natora e o Asteroides em Movimento funcionam como trincheiras culturais, lugares onde a arte pode existir sem moldes impostos pelo mercado. A banda sublinha que nesses espaços encontra “liberdade estética, política e poética”. São também laboratórios de experimentação, onde a interação com público e outros artistas alimenta novas ideias, novas camadas de performance e novas pulsações criativas.
É nesses encontros que a frase “mesmo com todo o caos urbano, ainda é através da arte que podemos nos conhecer e estabelecer relações humanas” ganha corpo. A banda relata que, quando atua nesses territórios, abre-se “uma clareira sensível dentro da cidade”, um momento de suspensão onde o público não apenas assiste, participa. O vínculo continua depois do concerto, prolongado em conversas, histórias partilhadas e reconhecimento mútuo.
Depois de “Desconcerto Blues”, dos EPs anteriores e das participações em documentários e movimentos culturais, a Colírio Elétrico entra agora numa nova fase. A banda prepara novas gravações que aprofundam a mistura entre blues, jazz, ruído urbano e poesia falada, com um foco maior em gravações de campo, arranjos de sopros eruditos e climas cinematográficos. Paralelamente, desenvolve projetos multidisciplinares onde música, palavra e performance se fundem num único gesto criativo.
A Colírio Elétrico reafirma, em tudo o que faz, a sua filiação ao território que a molda. É filha de Peixinhos porque transforma dificuldade em criação, caos em arte e quotidiano em gesto poético. O resultado é uma banda que não interpreta o mundo, provoca-o. Que não apenas atua, convoca. Que não só toca música, cria experiência.
[Entrevista traduzida para português depois do vídeo]
BlackStars, the veteran force bringing back the raw power of heavy rock
BlackStars from Italy are one of those rare cases in which decades of accumulated experience take shape as a new creative entity with a fully defined identity. Formed by veteran musicians connected to names such as Love Machine, Crimson Dawn, Opera Noire, Adam Bomb and many other remarkable projects, the band emerged in Milan in 2022 with a clear mission, to recover the visceral essence of classic heavy and hard rock, bringing it into the present with modern energy, authenticity and no concessions.
The self titled debut EP “BlackStars” and the explosive single “Dead Shots” function as a true sonic manifesto. This is the moment when the band introduces itself to the world without filters, with complete honesty and with a strength that surprises even those who already know the backgrounds of its members.
“Dead Shots” is your first major statement as BlackStars, a real punch to the stomach and a clear sonic manifesto. When you were writing and recording it, what did you want listeners to understand about who BlackStars are as a band?
When we wrote “Dead Shots”, we realised it was the definitive mission statement of BlackStars. We wanted the audience to understand two things immediately. First, that we are absolutely uncompromising in our sonic attack, the music is pure energy in its rawest form. Second, we wanted to show the perfect friction between our classic influences and the veteran power we have today. It is not just a tribute, it is proof that the heavy and hard rock spirit of the eighties and nineties is alive and evolving. It is loud, it is honest and it hits directly in the chest, this is BlackStars.
You are presented as a true veteran supergroup with members from Love Machine, Crimson Dawn, Opera Noire, Adam Bomb and many other projects. How did these different origins shape the chemistry inside the rehearsal room when BlackStars started in Milan in 2022?
The rehearsal room in Milan in 2022 had a special electric atmosphere, although it was not immediately easy. Each of us is deeply connected to different subgenres, from the darker rock of Opera Noire and the stoner band Sakem from Wolfie, to the epic doom of Crimson Dawn from Antonio Pecere, to the attitude of Crossbones and Fuckin Jam from Walter Soresina. We also brought the roots of Love Machine from Max Adams and the important international experience of our drummer Folkert Beukers with projects such as Adam Bomb and Chris Holmes. The first phase was a constructive confrontation as we searched for common ground driven by riff and power. The magic happened when we stopped trying to control each other’s style and embraced the unique strength that each background brought.
The press release describes your sound as a powerful and visceral blend of Heavy and Hard Rock deeply influenced by the golden era of the eighties and nineties. In a world dominated by modern production, what do you consciously do to capture that classic feeling without sounding like a retro band?
The key lies in groove and tone. We consciously avoid the hyper compressed and often sterile production that dominates modern rock. We aim to capture a sound where you can still feel the air moving through the speakers and the organic delivery of the instruments.
Technology and tone, although we use modern amp modelling instead of traditional valve amplifiers, our guitarists search for tones that faithfully reproduce that classic analogue warmth.
Analogue contrast, bassist Walter Soresina uses analogue valve amplifiers and heads to guarantee a thick, classic sound, creating a perfect bridge between the guitar modelling and the power of the drums.
Performance, we recorded with a focus on execution rather than perfection. There is a rawness in the tracks that makes them sound like a veteran band performing live rather than digitally edited takes quantised to the millimetre.
The debut EP is self titled and was recorded with drummer Sérgio Masperi. Additionally, Alberto “Wolfie” Presotto is the author, composer, arranger and studio sound engineer. How did their contribution and that internal perspective shape the arrangements, the grooves and the overall impact of the songs?
The contribution of high level professionals and the internal perspective of such a central member were crucial. Sérgio Masperi, whom we consider a brother before a session musician, solidified the rhythm in the rehearsal room, emphasising a heavy and essential pulse.
We speak of Sérgio as a great professional whose contribution was both technical and rhythmic during the recording.
This work created the foundation for the rhythmic strength that the band later developed with our official drummer, Folkert Beukers. His precision, combined with his vast experience, is now the backbone of our live sound and future compositions.
The real sonic engine of the record was Alberto “Wolfie” Presotto. His role was central, not only as lead guitarist and keyboardist, but also as author, composer and arranger. Interestingly, he was the sound engineer who mixed and mastered the EP in his own apartment, a demonstration of his technical mastery and uncompromising vision.
The “Dead Shots” video is the first visual presentation of BlackStars for many people. What kind of atmosphere and imagery did you want to create to match the strength and nostalgia of the song?
We wanted the video to be austere, intense and focused exclusively on the band’s performance and presence.
The atmosphere needed to combine raw power with a certain rough refinement. We avoided complex narratives or unnecessary props.
Imagery, we chose a dark and evocative visual palette, heavy shadow, smoke and contrasting light. This highlights the band’s energy and the aggression of the music.
Environment, the video is meant to feel immediate and urgent, as if the band is performing this explosive statement directly in front of the viewer. The goal was to establish BlackStars as a serious and authoritative unit from the very first second.
With decades of career behind you, you know both the golden age of physical formats and the current era of streaming. Why was it important to release the “BlackStars” EP not only digitally but also as an elegant collector’s digipak CD?
The decision to release the EP as a collector’s CD is both a tribute to our history and a statement of our commitment to the art of the album.
Physical connection, streaming is practical but lacks permanence. A CD is a tangible object, a piece of art with notes, design and photography. For us and for the fans who grew up valuing booklets and credits, this connection is vital. It is an act of respect for the music itself.
For collectors, the digipak was designed to be elegant. It is not just about sound, it is about owning a fragment of the band’s identity. It tells the listener that this music matters enough to be held in their hands.
If you had to choose one song from the EP that best represents the future of BlackStars, not only your roots, which track would it be and what does it reveal about the direction you want to follow in terms of sound, composition and live energy?
The song that best represents the future of BlackStars is “Hot Blood”.
While tracks like “Dead Shots” solidify our roots, “Hot Blood” shows where we want to go in terms of pure and unstoppable energy. It is the track that raises the BPM and intensity to the maximum, showing that we are not afraid to push the limits and maintain a modern, fresh aggression.
The sound, it reveals our desire to maximise power, with tighter riffs and relentless rhythmic drive. The massive groove from drummer Folkert Beukers and bassist Walter Soresina is the engine behind our ability to create heavy, direct and extremely fast anthems.
Composition, it shows that we can write songs that are complex in execution yet simple and direct in emotional impact. It is a concise hard rock lesson that avoids excess in order to strike straight at the heart.
Live, “Hot Blood” is essentially a stage bomb. It is the track built to set the crowd on fire, an anthem of pure adrenaline that represents the energy we want to unleash on stage. It proves that BlackStars are not a band trapped in the past, they are a unit ready to dominate the present with their own strength.
BlackStars, a nova força veterana que traz de volta o poder cru do heavy rock
Os italianos BlackStars são um daqueles raros casos em que a experiência acumulada ao longo de décadas se transforma numa nova entidade criativa com identidade própria. Formada por músicos veteranos ligados a nomes como Love Machine, Crimson Dawn, Opera Noire, Adam Bomb e muitos outros projetos marcantes, a banda nasce em Milão em 2022 com uma missão clara, recuperar a essência visceral do heavy e hard rock clássico, trazendo-a para o presente com uma energia moderna, autêntica e sem concessões. O EP de estreia, “BlackStars”, e o explosivo single “Dead Shots” funcionam como um verdadeiro manifesto sonoro. Este é o momento em que a banda se apresenta ao mundo sem filtros, com honestidade absoluta e uma força que surpreende até quem já conhece bem a carreira dos seus membros.
“Dead Shots” é a vossa primeira grande declaração enquanto BlackStars, um verdadeiro murro no estômago e um manifesto sonoro claro. Quando o estavam a escrever e gravar, o que queriam que o público percebesse sobre quem são os BlackStars como banda?
Quando escrevemos “Dead Shots”, percebemos que era a declaração definitiva de missão dos BlackStars. Queríamos que o público entendesse imediatamente duas coisas. Primeiro, que somos absolutamente intransigentes no nosso ataque sonoro. A música é pura energia em estado bruto. Segundo, queríamos mostrar o atrito perfeito entre as nossas influências clássicas e a energia veterana que temos hoje. Não é apenas um tributo, é a prova de que o espírito heavy e hard rock dos anos 80 e 90 está vivo e em evolução. É ruidoso, é honesto e acerta em cheio no peito, isto é, BlackStars.
São apresentados como uma verdadeira superbanda veterana, com membros de Love Machine, Crimson Dawn, Opera Noire, Adam Bomb e muitos outros projectos. De que forma estas origens diferentes moldaram a química dentro da sala de ensaios quando os BlackStars começaram em Milão em 2022?
A sala de ensaios em Milão, em 2022, tinha uma energia elétrica especial, mas, não foi logo fácil. Cada um de nós está profundamente ligado a subgéneros diferentes, desde o rock mais negro dos Opera Noire e da banda stoner Sakem (Wolfie), ao doom épico dos Crimson Dawn (Antonio Pecere), passando pela atitude dos Crossbones e Fuckin’Jam (Walter Soresina). Sem esquecer as raízes dos Love Machine (Max Adams) e a importante experiência internacional do nosso baterista Folkert Beukers com projectos como Adam Bomb e Chris Holmes. A fase inicial foi um confronto construtivo para encontrar um terreno comum movido pelo riff e pela potência. A magia aconteceu quando deixámos de tentar controlar o estilo uns dos outros e aceitámos a força única que cada percurso trazia.
O comunicado de imprensa descreve o vosso som como uma mistura poderosa e visceral de Heavy e Hard Rock, profundamente influenciada pela era dourada dos anos 80 e 90. Num mundo dominado pela produção moderna, o que fazem de forma consciente para capturar esse sentimento clássico sem parecer apenas uma banda retro?
A chave está no groove e no tom. Evitamos conscientemente a produção hiper-comprimida e muitas vezes estéril que domina o rock moderno. Procuramos captar um som onde ainda se sente o ar a mover-se nas colunas e a emissão orgânica dos instrumentos.
Tecnologia e tom, apesar de usarem modelos modernos em vez dos tradicionais amplificadores de válvulas, os guitarristas procuram timbres que reproduzam fielmente esse calor analógico clássico.
Contraste analógico, o baixista Walter Soresina, usando amplificadores e cabeços analógicos de válvulas, garante um som encorpado e clássico, criando uma ponte perfeita entre a modelação das guitarras e a força da bateria.
Performance, gravámos com foco na execução e não na perfeição. Existe uma crueza nas faixas que as faz soar como uma banda veterana ao vivo, não como edições digitais quantizadas ao milímetro.
O EP de estreia é homónimo e foi gravado com o baterista Sérgio Masperi. Além disso, Alberto “Wolfie” Presotto é autor, compositor, arranjador e engenheiro de som de estúdio. De que forma o contributo destes profissionais e essa perspetiva interna influenciaram os arranjos, os grooves e o impacto global das músicas?
O contributo de profissionais de alto nível e a perspetiva interna de um membro tão central foram cruciais. Sergio Masperi, que consideramos um irmão antes de um músico de sessão, solidificou o ritmo na sala de ensaios, enfatizando uma pulsação pesada e essencial.
Falamos do Sérgio como um grande profissional cujo contributo foi técnico e rítmico durante a gravação.
Este trabalho criou a base para a força rítmica que a banda desenvolveu depois com o nosso baterista oficial, Folkert Beukers. A sua precisão, aliada à vasta experiência, é hoje o alicerce do som ao vivo e das futuras composições dos BlackStars.
O verdadeiro motor sonoro do disco foi Alberto “Wolfie” Presotto. O seu papel foi central, não só como guitarrista solo e teclista, mas também como autor, compositor e arranjador. Curiosamente, foi ele o engenheiro de som que misturou e masterizou todo o EP no seu próprio apartamento, uma demonstração da sua mestria técnica e visão intransigente.
O vídeo de “Dead Shots” é a primeira apresentação visual dos BlackStars para muita gente. Que tipo de ambiente e imagética queriam criar para combinar com a força e a nostalgia da música?
Queríamos que o vídeo fosse austero, intenso e focado exclusivamente na performance e presença da banda.
A atmosfera deveria misturar poder cru e um certo requinte áspero. Evitámos narrativas complexas ou adereços desnecessários.
Imagética, escolhemos uma paleta visual escura e evocativa, muita sombra, fumo e luz contrastante. Isto destaca a energia dos membros e a agressividade da música.
Ambiente, o vídeo pretende parecer imediato e urgente, como se a banda estivesse a interpretar esta declaração explosiva diretamente diante do espectador. O objetivo foi estabelecer os BlackStars como uma unidade séria e autoritária desde o primeiro segundo.
Vindo de décadas de carreira, conhecem tanto os tempos áureos dos formatos físicos como a era atual do streaming. Porque foi importante lançar o EP “BlackStars” não só em formato digital, mas também num elegante CD digipak de colecionador?
A decisão de lançar o EP num CD de colecionador é uma homenagem à nossa história e uma afirmação do nosso compromisso com a arte do álbum.
Conexão física, o streaming é prático, mas carece de permanência. Um CD é um objeto tangível, uma peça de arte com notas, design e fotografia. Para nós e para os fãs que cresceram a valorizar os livretos e os créditos, esta ligação é vital. É um ato de respeito pela própria música.
Para um colecionador, o digipak foi concebido para ser elegante. Não se trata apenas de som, mas de possuir um fragmento da identidade da banda. Diz ao ouvinte que esta música é importante o suficiente para ser segurada nas mãos.
Se tivessem de escolher uma música do EP que melhor representasse o futuro dos BlackStars, não apenas as vossas raízes, que faixa seria e o que revela sobre o caminho que querem seguir em termos de som, composição e energia ao vivo?
A música que melhor representa o futuro dos BlackStars é “Hot Blood”.
Enquanto faixas como “Dead Shots” consolidam as nossas raízes, “Hot Blood” mostra para onde queremos ir em termos de energia pura e imparável. É a música que eleva o BPM e a intensidade ao máximo, mostrando que não temos medo de elevar a fasquia e manter uma agressividade moderna e fresca.
Toda a sonoridade, revela a nossa vontade de maximizar a potência, com riffs mais apertados e uma condução rítmica implacável. O groove massivo do baterista Folkert Beukers e do baixista Walter Soresina é o motor da nossa capacidade de criar hinos pesados, diretos e extremamente rápidos.
A composição, demonstra como conseguimos escrever músicas complexas na execução, mas simples e diretas no impacto emocional. É uma lição de hard rock conciso que evita excessos para atingir diretamente o coração.
Ao vivo, “Hot Blood” é essencialmente uma bomba de palco. É a faixa feita para incendiar o público, um hino de pura adrenalina que representa a energia que queremos levar ao palco. Prova que os BlackStars não são uma banda presa ao passado, são uma unidade pronta para dominar o presente com a sua própria força.