sábado, 21 de fevereiro de 2026

🎙️Entrevista - APOCALYPSE CONSPIRACY


Apocalypse Conspiracy é um quarteto algarvio de thrash metal forte e contundente, cujas mensagens potentes não deixam ninguém indiferente. Alimentam-se dos palcos, da interacção com o público e desconhecem a palavra “impossível”. Porque quando querem fazem acontecer! Com uma postura “old” school” honesta e autêntica, mantêm o foco sobre o que podem controlar não desperdiçando energias com “ruído”. Com um segundo álbum a nascer, Pedro Marreiros, vocalista e guitarrista da banda conta-nos como tudo nasceu e como se encontram os Apocalypse Conspiracy neste momento.


Vamos começar bem pelo princípio: como e quando nasceu a banda?  


Eu e o Miguel tocamos juntos desde 2008 sensivelmente, mas sempre em bandas e projectos do mundo dos covers. Apesar dos originais estarem sempre presentes e as composições estarem presentes desde de muito cedo, sempre ficou tudo na “Gaveta”. Em 2018/2019 surgem os primeiros indícios do que seria os “Apocalypse Conspiracy” quando o Miguel responde a um anúncio de uma banda local que procurava guitarrista e eu respondo a outro anúncio, de uma outra banda local, que procurava vocalista. Entretanto, do meu lado a banda não teve continuidade e acabei por ingressar na banda do Miguel como segundo guitarrista. Entretanto acontece a Pandemia em 2020 e o mundo congelou e este projecto que tínhamos…termina. Esse período de confinamentos posso dizer que precipitou o início da banda e as primeiras composições surgiram. No final de 2021 o Rúben junta-se a nós e pouco tempo depois o Ângelo. Os primeiros ensaios acontecem no início de 2022, e a nossa história começa oficialmente em palco em Março de 2022 na “Battle of the Bands” organizado pela Associação Marginália, em Portimão. Desde aí tem sido um percurso fantástico, com concertos de norte a sul do País. Desde o primeiro momento que o nosso objectivo principal sempre foi tocar ao vivo, trabalhar sempre com esse foco principal, neste momento contamos com cerca de 30 concertos, 1 álbum auto-editado e 2026 vai ser o ano de lançamento do nosso segundo longa duração.



Porquê “Apocalypse Conspiracy”?


Essa é uma pergunta curiosa, porque originalmente o nome era para ser “Divine Conspiracy”, no entanto fomos investigar e já existia uma banda com esse nome. Nesse momento decidimos que queríamos manter ou o Divine ou o Conspiracy. Um dos nomes que surgiu foi “Divine Chaos”, e mais uma vez numa procura rápida descobrimos que já existia uma banda com esse nome e até foi uma banda inglesa brutal que acabamos por descobrir. Já não me lembro quem falou em Apocalypse durante esta discussão, mas o nome soou logo bem, e acabava por ir ao encontro da ideia inicial e das temáticas que tínhamos em mente. Procurámos e não havia nada, e quando vou registar o email da banda também descubro que está disponível e então ficou “Apocalypse Conspiracy”. O nome acabou por ser a escolha acertada, porque vai abranger uma série de temas como os bastidores das guerras, os jogos de poder, o controlo de massas, a manipulação de opiniões, a resistência do povo a todas estas jogadas de bastidores. “Apocalypse Conspiracy” acaba por ser a nossa forma de descrever o mundo presente, mas que foi moldado por um passado igualmente sombrio e mortífero.



Em 2023 lançaram o vosso álbum de estreia, um LP com nove temas. Tendo em conta o mercado musical actual e mais concretamente o mercado nacional, não foi arriscado, lançar como estreia, um LP auto editado?


Quando tivemos os primeiros ensaios, agendámos logo a primeira data ao vivo que seria em Março, três meses após o início dos ensaios. O passo seguinte foi gravar, nem que fosse 1 ou 2 temas, e então decidimos fazer esse primeiro registo nos Ilargia Recording Studios em Estombar. Gravámos as demos de “Virus” e “Radioactive Chaos" - foi o primeiro contacto com estúdio que a banda teve. Os próximos passos após a gravação dessas demos e o primeiro concerto, passariam por agendarmos datas e tocarmos ao vivo para ir consolidando as músicas que já tínhamos e que iam surgindo sempre com o pensamento na gravação do primeiro álbum. Nesse período, até entrarmos em estúdio, tivemos momentos fantásticos tendo sido o concerto com os RAMP o ponto mais alto da então curtíssima “carreira” da banda.


Poderíamos dizer que foi um risco claro, mas nós gostamos de definir objectivos sem pensar muito nos contras e focar nos aspectos positivos. Sempre definimos objectivos, desta forma, estamos sempre motivados para fazer as coisas acontecer. Se já tivemos momentos menos bons? Claro que sim. Se já tivemos momentos brutais? Claro que sim. Todos esses momentos têm ajudado a moldar a banda e a nós como músicos e como pessoas.


Voltando à pergunta, nós nunca ponderámos a gravação de um EP ou singles numa primeira fase, planeámos logo a gravação do um LP, que aconteceu em Setembro de 2022. Ter sido auto-editado foi algo que surgiu naturalmente, nem sequer houve discussão sobre isso, a única coisa que queríamos era gravar um álbum conforme o nosso planeamento exclusivamente musical. A questão do risco na auto-edição nunca se colocou, foi algo que quisemos mesmo fazer independentemente do mercado, aliás nunca partimos para a gravação pensado em mercados, este primeiro álbum foi um objectivo comum a todos. As coisas acontecem naturalmente, e a única coisa que controlamos é a nossa música, a concretização dos nossos objectivos e a nossa maneira de estar. Tudo o resto são consequências das nossas acções. Portanto não houve risco nenhum, tínhamos os meios, as músicas, o plano, foi só por em prática. Objectivo cumprido, álbum gravado e o resultado foi melhor do que aquilo que esperávamos, para dizer a verdade.



O criador da capa de “Apocalypse Conspiracy” é o Miguel Volmer, guitarrista da banda. Falem-nos de como surgiu a ideia da capa e como foi o processo da sua criação.


A capa do álbum foi discutida entre todos. Fomos lançando ideias sobre o que queríamos que a mesma transmitisse. Na altura tínhamos o conceito do bem contra o mal, o “Anonymous” que na altura ainda não tinha uma designação certa, mas que sabíamos o seu propósito e de como o queríamos representado, surgiria sempre como peça central na composição, e sempre numa posição de grande poder e domínio contra as elites manipuladoras. Fechado esse brainstorm o Miguel materializou numa primeira fase em esboços que fomos ajustando e quando ficou fechado no esboço final em papel, iniciou o processo que originou a fantástica tela que viria a dar origem à capa presente nos Cd´s


A capa representa a luta contra o sistema, em destaque surge a nossa mascote “Anonymous“ a combater “demónios” na mesa redonda, que personificam as elites que controlam o planeta através de jogos de influência e poder. Os temas do álbum são muito focados na influência que os poderes ocultos têm na sociedade, no que diz respeito à mobilização das pessoas em prol de objectivos ocultos, mais concretamente às guerras criadas por estas elites que cobardemente enviam homens para as frentes de batalha. Estes senhores do poder mentem perante uma bandeira que juraram honrar. A capa representa toda essa hipocrisia combatida pelo “Anonymous”.

O “Anonymous” já nos acompanhou em palco em alguns concertos especiais, e veio para ficar, como vão poder comprovar num futuro muito próximo, sempre com a mesma ambição de combater a hipocrisia, arrogância e ganância dos poderes instalados.



Quais os principais temas das vossas canções e onde vais buscar inspiração para escrever as letras?


Nas nossas músicas estão sempre presentes temas como hipocrisia, manipulação de opiniões, equilíbrio de poderes à custa do povo inocente, resistência às elites. Ando sempre à volta destes temas, e uma grande fonte de inspiração para a maior parte das letras são as guerras e a forma como são criadas, controladas e geridas.

Algumas músicas foram mesmo inspiradas em episódios concretos, são exemplo disso estes 4 temas:


A música “Radioactive Chaos” aborda o episódio da detonação das bombas atómicas, e a minha visão sobre o sofrimento do povo, o acontecimento em si e a influência externa para que esse acontecimento mortal tivesse acontecido como aconteceu.



A música “Anonymous” foi uma forma de homenagear o “Soldado Desconhecido”, que surgiu após a primeira guerra mundial como forma de honrar todos os soldados cujos os corpos nunca foram identificados.  Este tema representa um dos pontos mais altos dos nossos concertos, onde banda e público se unem a uma só voz.


O tema “Deathwatch” está directamente ligado ao filme “Deathwatch” que se passa durante a primeira guerra mundial onde as trincheiras nunca dormiam. Aconselho a ver, é simplesmente brutal. E já agora, depois de ver o filme, têm de ouvir a música a ler a letra. Na letra está igualmente a minha visão sobre o verdadeiro inferno de quem viveu esse horror das trincheiras.


O Tema “Vírus” foi um dos temas que surgiu antes da banda iniciar actividade. Pode-se pensar que tem a ver com a pandemia mas não, até porque foi escrita antes disso. “Vírus” alerta para os perigos da comunicação social, e a forma como hipnotiza um povo e como manipula opiniões. No lyric video podemos ver o “Anonymous” a absorver o veneno dos ecrãs. É um dos temas mais requisitados e um dos que nunca ficou fora dos nossos concertos.


Todos os restantes 5 temas abordam igualmente esta visão do controlo sobre inocentes, as mentiras, a resistência e as revoltas de um povo cansado de ser subjugado.



Vocês são uma banda de palco, de concertos ao vivo e de contacto com o público. É fácil para uma banda algarvia encontrar salas e festivais onde tocar? 



Acaba por ser complicado, tendo em conta que tudo acontece praticamente de Lisboa para cima. Temos a nível do Algarve alguns promotores que vão tentando dinamizar os eventos de bandas de originais com alguma frequência como é o caso do Bafo de Baco em Loulé, o Rock da Baixamar em Tavira, ou a ARCM em Faro. No entanto, para conseguirmos algo mais, temos de definir outro tipo de objectivos e procurar outros palcos nacionais e não estar fechado à possibilidade de surgir convites de fora de Portugal. Temos no Algarve excelentes propostas tanto a nível de bandas como de promotores, mas o mercado é curto e torna-se complicado, se não existir um plano sólido que permita aceitar convites, de onde quer que eles surjam, os concertos serão certamente pontuais e como disseste e bem, nós somos uma banda ao vivo, nem sequer ponderamos a hipótese de ficar sem tocar.

Como disseste e bem, nós somos uma banda ao vivo e é nesse ambiente que nos sentimos bem e onde tudo faz sentido, onde o trabalho ganha vida, portanto nunca fechamos a porta a nada e procuramos sempre tocar, seja no Algarve, no centro, no norte ou fora do país caso surja oportunidade. Claro que tudo tem de ser ponderado em termos de logística e custos, entre outros factores, mas o que conseguimos controlar é a nossa gestão e a nossa forma de fazer as coisas. Não existem certos nem errados, existe sim ter objectivos e trabalhar para os concretizar, dentro do que achamos razoável para o bom funcionamento da banda.



Ter uma banda é conciliar ensaios e concertos com empregos e vida familiar, abdicar de fins de semana de lazer, de férias, fazer quilómetros para muitas das vezes tocar para uma sala quase vazia e não ter retorno económico nem para pagar as despesas. O que é que vos move? Alguma vez pensaram em desistir?


Nós os 4 somos todos pais, temos casa de família e trabalhos e também somos todos quarentões, para dizer a verdade. Temos já bastante experiência para conseguir gerir questões que se calhar noutras alturas da vida não teríamos. Como já tinha mencionado antes, eu e o Miguel por exemplo, tocámos em bandas de covers durante muitos anos, 3/4 vezes por semana normalmente, Foi uma escola muitíssimo importante porque ensinou-nos a gerir o tempo, a gerir disponibilidades, a resolver problemas e a arranjar soluções. Portanto, desistir é algo que não faz parte da nossa maneira de encarar as coisas. Fundamental é ter noção que não vale a pena gastar energias com o que não podemos controlar: Público, muita ou pouca receita, condições logísticas, vendas de merch entre outras coisas, são factores fora do nosso controlo. O que controlados é: a atitude, a performance, a maneira de ser e estar, entreajuda, cooperação, emoções, gestão do tempo…são factores que controlamos e damos sempre 200% para que tudo corra na perfeição, quanto ao resto? É deixar fluir. Temos uma paixão enorme por tocar ao vivo, penso que um dos verdadeiros factores que nos move é mesmo a vertente ao vivo. São momentos únicos essa conexão da nossa música com o público. Seja para 1 pessoa ou para 10000, a paixão e entrega é sempre a mesma.



Parece-me haver em Apocalypse Conspiracy uma atitude muito peculiar: o dar tudo sem esperar nada, o que faz com que tenham uma atitude muito proactiva, procuram contactos, enviam o material para escuta, procuram chegar a todo o lado possível. Até onde já chegaram com esta atitude e qual foi a situação que mais vos surpreendeu?


Sim, nós realmente gostamos imenso do que fazemos, encaramos
a banda como uma empresa no sentido da organização e estratégia. A base é a mesma, e a parte do marketing e relações públicas é fundamental. No entanto mantemos os pés na terra, porque ao contrário de uma empresa que tem o objectivo de ter lucro, neste mundo essa parte é das mais complicadas de conseguir gerir, logo a única forma é ser pró-activo e ser bastante constante nesse aspecto. No fundo somos 4 indivíduos que estão sintonizados na mesma frequência, portanto seja onde for, levamos espírito positivo e de boa onda, tanto para com os promotores e bandas com quem vamos trabalhar em determinado evento assim como com o público que nos vai ver. Essa parte do convívio para nós é tudo. É o melhor que levamos desta vida, são os momentos e os episódios que acontecem.


Quanto a situações especiais que nos aconteceram, temos um concerto na Casa do Artista Amador, Famalicão…outubro 2023, pouco tempo depois de termos lançado o álbum. Uma noite de tempestade como há muito não víamos, fizemos a primeira parte dos Rising Curse (banda do Porto), o público foram eles para nós e nós para eles, praticamente. Uma viagem de 1300 kms , mas encaramos aquela noite como se fosse um festival lotado. Após o concerto, claro está, foi festa com a equipa da CAA e alguns dos poucos presentes. No final da noite tivemos o convite para tocar no Laurus Nobilis 2023, e assim foi. Em julho de 2024 lá estávamos novamente em Famalicão e novamente tratados como Reis. Em novembro de 2025 estivemos novamente na CAA e já ficou apalavrado para regressarmos em 2027, é família e isso é o mais importante de tudo. A nossa ida ao Trebaruna, em Lamego, em 2024, valeu-nos também o convite para estarmos no Lamaecum 2026 que terá lugar no próximo dia 14 Março. Lamego é mais um daqueles sítios fantásticos onde todos os quilómetros valeram a pena.

Em todos os lugares onde vamos deixamos amigos e isso para nós é o mais importante, é isso o que levamos desta vida



Qual é o vosso maior sonho enquanto banda? E qual o maior medo/receio?


Os nossos objectivos são os nossos sonhos. Definimos objectivos
e trabalhamos para os alcançar. Claro que podemos dizer que sonhávamos um dia tocar num Wacken, num Hellfest, num Sweden Rock Fest, ou em Portugal num Vagos ou num VOA ou fazer uma Tour - qualquer músico e qualquer banda tem legitimidade para sonhar isso, no entanto ter esses sonhos e abdicar das etapas anteriores é viver uma fantasia que se pode transformar em frustração e por consequência em deixar cair o pano. Tudo pode acontecer, e as bandas que seguimos e admiramos também tinham esses sonhos certamente, mas tiveram um percurso até lá chegarem, em alguns casos podemos saltar etapas mas isso pode significar saltar aprendizagem e saltar maturidade o que pode também ser prejudicial, a acabar por ser o realizar de um sonho mas o fim de algo mais.

No nosso caso preferimos ir traçando objectivos reais e trabalhar para ir trilhando o nosso percurso. O Laurus Nobilis foi o nosso primeiro festival e se me dissessem que íamos tocar ao Laurus quando começámos a banda, diria algo do género “Tá tudo maluco? Ir ao festival onde tocaram os Manowar?” No entanto, em 2024 tivemos lá, num cartaz junto com nomes como Vader, Septicflesh ou Moonspell.


Não há formas certas ou erradas de trabalhar, cada banda tem o seu plano e todos são válidos. 


Nos Apocalypse Conspiracy não há espaço nem tempo a perder para pensar em medos ou receios, mas sim para criação, trabalho e soluções para as questões pertinentes que vão surgindo. Mais uma vez as decisões são para ser tomadas e as coisas acontecem quando têm de acontecer. Portanto, é manter o foco no essencial, no que podemos controlar, o resto é o resto, é ter um plano e ser fiel a nós próprios.



Dois anos e meio depois de “Apocalypse Conspiracy”, o que estão a preparar de novo?



De facto não estamos a preparar nada neste momento, porque já foi preparado durante 2025, cozinhado e gravado em Novembro 2025 o sucessor de “Apocalypse Conspiracy”. E como em equipa que ganha não se mexe, voltamos aos Leviathan Recording Studios pela mão do Sebastien Matias e de Matthew Alexander aos comandos. Neste momento o álbum está em misturas com o Matthew, nos seus estúdios em Boston, EUA. Para ficarem todos atentos, porque para já não podemos adiantar mais nada. Apenas que será lançado durante este ano, e que já temos datas de norte a sul confirmadas, que serão divulgadas muito em breve. Para já, marcamos encontro para dia 14 Março do Lamaecum Metal Fest em Lamego, que terá uma cartaz simplesmente brutal. Espero ver todos lá para fazerem a festa connosco.



Olhando para todo o percurso da banda até hoje, o que teriam feito de maneira diferente e o que é nunca mudarão? 


Acho que viver com aquela premissa que costumamos usar “Se soubesse o que sei hoje”, só nos vai fazer pensar em coisas que não vamos conseguir mudar. Tudo o que passou, e tudo o que foi feito de bom e de menos bom, contribuíram para moldar o presente e fazer de nós o que somos hoje. Portanto sim, talvez pudéssemos ter feito uma ou outra coisa diferente, mas será que éramos o que somos hoje? Lá está, não controlamos o passado nem o futuro, controlamos as nossas decisões hoje, e essas vão influenciar o futuro. Depois de serem tomadas já passou, e temos de assumir o que decidimos e tentar fazer com que sejam boas decisões. Não podemos é cair no erro de decidir, e passado 5 minutos pensar que deveríamos ter decidido outra coisa. Decisões são para ser tomadas, assumidas sem olhar para trás e sim, pensar em que aspectos essas decisões podem ser trabalhadas para tirarmos o maior proveito delas.


O que nunca iremos mudar é a nossa atitude e a nossa maneira de estar, seja num concerto para 10 pessoas num quintal de um vizinho ou num festival para 10000. Ser genuíno é algo que as pessoas admiram e apreciam. Antes de sermos músicos, somos pessoas e somos igualmente público. Tanto estamos a apoiar bandas quando as vamos ver, como fazemos questão de fazer com que o público faça parte do nosso concerto quando estamos em palco. Essa ligação é uma prioridade absoluta.



Uma mensagem para todos os que leram esta entrevista. 


Músicos, público, promotores e todos os que apoiam e suportam este universo do Metal, continuem presentes. A entreajuda entre todos é o nosso maior poder. Somos muitos e se formos unidos vamos ser cada vez mais. 


Obrigado a todos os que têm acompanhado o nosso trabalho, vamos ter novidades muito em breve. Fiquem atentos.



Muito obrigada. 




terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

🎙️Entrevista - COLDWINTER (por Miguel Correia)

 


“Afundar nas Memórias, Transformar a Dor em Som”


Com “Where Memories Drowning”, os Coldwinter entregam um dos trabalhos mais densos e emocionalmente devastadores do seu percurso. Inspirado numa perda real e profundamente pessoal, o álbum assume-se como uma travessia pelas diferentes fases do luto, do choque inicial à rendição silenciosa, sempre envolto numa atmosfera de Atmospheric Melodic Doom Metal marcada por peso existencial, melancolia e introspecção.

Nesta conversa, Alessandro, Elvis Limac e Gustavo Grando revelam o processo criativo por trás do disco, a dimensão catártica da composição, o simbolismo da capa e a intensidade emocional que marcou as gravações. Um testemunho honesto sobre como a dor pode ser transformada em arte, e como as memórias continuam a ecoar mesmo quando tudo parece submergir.


“Where Memories Drowning” é um álbum profundamente ligado à perda e ao luto, inspirado numa história real e muito pessoal. Em que momento sentiste que esta dor precisava de ser transformada em música e conceito?

Alessandro: O álbum “Where Memories Drowning” foi um processo catártico e necessário. A dor e o luto que inspiraram este trabalho surgiram de uma perda pessoal muito significativa para mim, que me levou a questionar o sentido da vida e a importância das memórias. Foi um momento de introspeção profunda, em que a música se tornou a única forma de expressar aquilo que não conseguia dizer por palavras. A transformação da dor em música aconteceu quando percebi que as memórias, apesar de dolorosas, eram também uma forma de manter viva a ligação com quem partiu. O álbum tornou-se um tributo às memórias que não podem ser apagadas, mesmo perante a perda, elas permanecem para sempre na mente.

O momento em que senti que precisava de transformar a dor em música foi praticamente imediato. A perda foi um golpe muito duro, e a música foi a única coisa que encontrei para processar e expressar o que estava a sentir. Comecei, lentamente, a escrever letras e melodias que refletiam essa dor e confusão. Com o tempo, percebi que estava a criar algo mais do que um desabafo, estava a honrar a memória de quem se foi.

O conceito do álbum desenvolveu-se a partir daí. Quis criar uma jornada emocional que conduzisse o ouvinte pelas várias fases do luto e da saudade. A música e o conceito tornaram-se uma forma de transformar a dor em algo belo e significativo.




A capa do álbum funciona quase como um portal narrativo, carregado de símbolos como a árvore nua, a névoa e as figuras espectrais. Como foi o processo de traduzir sentimentos tão íntimos para uma imagem visual tão forte?


Alessandro: A capa foi um processo extremamente pessoal e simbólico. A árvore nua, representa a perda e a desolação, enquanto a névoa simboliza a confusão e a incerteza que acompanham o luto. As figuras espectrais são representações das memórias que permanecem, mesmo depois da partida de alguém tão importante.


Quis criar uma imagem que captasse a sensação de estar perdido num mundo enevoado, onde as memórias estão presentes, mas parecem inalcançáveis. A capa reflete o estado emocional do álbum, é um convite a entrar nesse universo de memórias submersas.


Trabalhei com um artista visual que compreendeu perfeitamente a essência do disco. Discutimos os temas e emoções que queria explorar, e a partir daí surgiram conceitos e esboços. A árvore, a névoa e as figuras espectrais emergiram quase naturalmente, como se nascessem da própria música.

Reinaldo Hilario criou a arte da capa e Caio Bakargy acrescentou e desenvolveu vários detalhes. O resultado final é uma imagem que traduz fielmente a essência do álbum.


O disco percorre diferentes estágios da dor, do choque inicial à rendição final. Esta narrativa foi pensada desde o início ou revelou-se naturalmente à medida que as músicas iam sendo compostas?

Elvis Limac: A ideia de explorar perda e memória esteve sempre presente, mas a narrativa emocional revelou-se de forma natural durante a composição. As primeiras músicas são mais densas e tensas. Com o tempo, os arranjos tornaram-se mais lentos e atmosféricos, criando uma sensação de afundamento gradual. Na organização final do álbum percebemos claramente essa trajetória, do impacto inicial à rendição silenciosa.

Alessandro: Foi um processo orgânico. Comecei por escrever letras que refletiam o meu estado emocional, sem um plano definido para o álbum. Aos poucos, as músicas começaram a agrupar-se de forma natural.


Convidei o Gustavo Grando, vocalista da banda Fohatt, para trabalhar comigo nas linhas vocais. Eu escrevia as letras e as melodias e enviava-lhe, ele gravava no seu estúdio e devolvia-me as faixas. Depois convidei também o Marcelo Alves, dos Grind Studio, para assumir a produção. Trabalhámos intensamente no disco, e o resultado foi um trabalho refinado, feito de corpo e alma, quase como uma verdadeira jornada emocional.



Musicalmente, o álbum aprofunda o Atmospheric Melodic Doom Metal com ritmos lentos, melodias frágeis e uma sensação constante de vazio. Como encontraram o equilíbrio entre emoção crua e construção musical consciente?

Elvis Limac: A emoção vem primeiro. Os riffs nascem de estados íntimos e melancólicos. Depois trabalhamos cuidadosamente as camadas, os tempos e as texturas para amplificar o sentimento sem perder autenticidade. O objetivo é que o ouvinte não apenas escute a dor, mas a sinta de forma profunda e imersiva.

Alessandro: Foi um desafio, mas também essencial. Queria que o álbum fosse emocionalmente autêntico, mas também coeso e impactante. As melodias frágeis e os ritmos lentos foram escolhas intencionais para criar uma atmosfera introspetiva. Ao mesmo tempo, experimentámos diferentes texturas e contrastes para que o disco tivesse momentos de beleza e transcendência dentro da própria desolação.


As participações de Fábio de Paula, Jéssica Gartz e Agnes Rodrigues acrescentam novas camadas emocionais ao álbum. O que procuravam transmitir com estas vozes convidadas?

Elvis Limac: As participações não foram meras colaborações pontuais, mas extensões narrativas da história do álbum. Cada voz representa uma dimensão emocional distinta. As vozes mais graves traduzem resignação e peso, a voz feminina surge quase como um eco etéreo, simbolizando a memória persistente


Funcionam quase como personagens dentro do disco, manifestações de estados internos e da própria ausência. Musicalmente, aprofundam o contraste entre luz e sombra e tornam a experiência mais cinematográfica.


Cada convidado trouxe não só técnica, mas entrega verdadeira. Mais do que participações, foram colaboradores comprometidos com a essência do trabalho.


Faixas como “I Buried Your Heart” e “Void Of The Silence” são particularmente intensas. Foi difícil revisitar essas emoções durante a gravação?

Gustavo Grando: Sim, foi emocionalmente intenso. Precisei de revisitar sentimentos profundos durante a gravação. Houve um lado terapêutico nesse mergulho. A dor transformou-se em expressão artística. Nos Coldwinter, a atmosfera já carrega esse peso existencial, por isso não era possível apenas cantar, era necessário sentir.

Alessandro: Foram momentos muito difíceis. São músicas muito pessoais. Com o apoio de Marcelo Alves conseguimos captar exatamente o que pretendia transmitir. Em “I Buried Your Heart” foram gravados dois takes da Agnes Rodrigues, e o resultado foi magnífico. Em “Void Of The Silence”, o Marcelo sugeriu que a faixa fosse interpretada apenas com a voz da Agnes. A intensidade dessas músicas vem da autenticidade das emoções captadas em estúdio. Foi doloroso, mas libertador.


Depois de uma obra tão densa e emocional como “Where Memories Drowning”, como encaram o futuro dos Coldwinter?

Elvis Limac: Não vemos este álbum como um encerramento, mas como uma travessia. Levou-nos ao limite emocional e sonoro. A composição começou por volta de 2021 e o processo foi sendo adiado por vários acontecimentos. Só em 2025 conseguimos concluí-lo.


Ele fecha um ciclo no sentido de que esgotámos essa temática. Drenámos completamente aquele estado de espírito. Mas também abre uma nova fase. A banda amadureceu com a entrada do Gustavo Grando e na forma como equilibramos peso e melodia.

Queremos expandir ainda mais a nossa visão de Atmospheric Melodic Doom Metal, explorar novos contrastes e possibilidades sonoras. Se este álbum foi sobre afundar nas memórias, o próximo poderá ser sobre o que resta depois do naufrágio. Não uma superação luminosa, mas uma consciência mais fria e contemplativa.


O futuro dos Coldwinter não será uma rutura, mas uma evolução sólida e coerente com o caminho que definimos neste segundo álbum.





A banda está aqui 👇



domingo, 8 de fevereiro de 2026

🎙️Entrevista - UNRECHT


[Traduzido para português depois do vídeo]


Son madrileños, pero su nombre es alemán: UNRECHT, y en diciembre de 2025 lanzaron su álbum debut, "A Thousand And One Nightmares", a través de Art Gates Records. Con un enfoque fuerte, directo y emocionalmente intenso, donde el metal moderno se entrelaza con una amplia variedad de sonidos, la banda española, compuesta por Druma y Und (vocals), Helm (guitarra), Dek Tri (batería) y Grajo (bajo), nos habla de su trayectoria, su proceso creativo, los temas de este álbum debut y su futuro próximo.


Unrecht es el término alemán que significa "incorrecto", como en injusto o ilegal: ¿por qué se eligió el alemán y cómo se relaciona la "transgresión moral y/o ilegal" con el mensaje que quieren transmitir?


Al principio el grupo nació como un tributo a Rammstein, de ahí la elección del alemán, y una vez empezamos a componer, el grupo fue evolucionando sin dejar atrás nuestras raíces 


¿Cuáles son las principales influencias musicales y no musicales de los diferentes miembros de la banda?


Es un carrusel músical, hay de todo, desde la electrónica más cruda hasta el rap transgresor, pasando obviamente por el metal más agresivo.




Además de la elección de seudónimos artísticos (algo común en el metal industrial), la imagen de la banda también está marcada por la ocultación de la identidad de sus miembros al ocultar sus rostros con máscaras (excepto la boca), lo que elimina visualmente un lado más humano de su expresión facial y les atribuye la frialdad de los robots.


- ¿Qué significa cada seudónimo y cuál es su relación con el rol de cada miembro en la banda?


Grajo por un ser querido que me introdujo a la música, cuando falleció decidí que mi nombre artístico sería su mote. Esto hace que sea una unión entre mi personaje, mis inicios y mis recuerdos. El personaje es muy sentimental a la hora de que lo que siente lo reproduce en el momento mostrando una especie de locura que todo el mundo querría expresar pero no lo hace por miedo a ser rechazado


Dek Tri, 13 en esperanto, un camaleón en el escenario, adaptando su apariencia y comportamiento según el tema de la canción, el sentimiento o los colores del tema


Helm viene de una adaptación del mi nombre en alemán. Mi rol se basa en mantener la seriedad entre la locura del resto.


Druma es un reflejo del pasado, con el rol de la teatralidad de los recuerdos más abandonados de la mente


Und nexo de unión, potencia y serenidad con un toque de agresividad en el escenario.


- ¿En qué se basa la elección de esta imagen facial fría y metálica que elimina gran parte de la expresión emocional?


Las máscaras representan el  reflejo más frío, oscuro, y terrorífico de la sociedad en la que vivimos.


“A Thousand And One Nightmares” es un álbum debut que ya se presenta con la identidad y la coherencia de una banda que sabe lo que es y lo que quiere. ¿Cómo llegaron a esta identidad, considerando que Unrecht es una banda que se formó hace sólo 3 años?


Todos aportando ideas y complementando el trabajo de los demás, hemos llegado a componer el disco que estáis escuchando, pero queremos seguir avanzando. Nuestra opinión es que habiendo encontrado un sonido propio aún tenemos que desarrollar nuestra identidad musical.


¿Cuáles son las mil y una pesadillas que acechan las noches de
Unrecht y que llevaron a la composición de las diez canciones que componen el álbum?


El nombre se refiere a todas las pesadillas que puede tener el ser humano cogiendo como similitud la historia que hay detrás del libro de las 1001 noches, con las letras de este disco buscamos tratar las fantasías y miedos más oscuros de todos nosotros.


Aunque usaron la expresión escrita del número 1001 en el título del álbum, las diez canciones tienen nombres cortos, una sola palabra o anacronismos, como es el caso de la canción "ATAON", compuesta por las iniciales de las palabras del título del álbum. En Unrecht, nada es casual, así que me gustaría que nos contaran la idea/concepto detrás de estas elecciones.


Cada canción tiene una identidad propia que queríamos remarcar de forma independiente dejando claros los conceptos en algunas y acotando en otras de la forma más limpia, simple y efectiva posible.


Si queremos usar etiquetas musicales, Unrecht encaja dentro del metal industrial. Sin embargo, su sonido trasciende las fronteras musicales: mezclan riffs potentes con elementos electrónicos y una gama de estilos vocales tan diversa que cuesta creer que solo un dúo, Und y Druma, sea responsable de tal diversidad. ¿Cómo logran el equilibrio entre tanta diversidad y cómo logran que suene tan bien y coherente?


No queremos etiquetarnos en un solo estilo por que como dices realmente tocamos muchos géneros y muy diferentes, lo que nos lleva a una variedad vocal en la que ambos cantantes hemos experimentado con nuevos recursos fuera de lo que estamos acostumbrados.


Muchas bandas hoy en día optan por lanzar su álbum debut bajo su propio nombre y en un formato más corto (EP, por ejemplo). Unrecht, además de lanzar un LP con diez temas, lo hizo a través del sello Art Gates Records. ¿Qué los motivó a tomar estas dos decisiones: coherencia, riesgo o actitud?


Entre coherencia, riesgo y actitud; dos nos definen y una no la conocemos, la decisión de sacar un LP como debut fue en mayor parte para crear algo mas profundo y desarrollar una narrativa en los futuros trabajos de la banda.

Cuando Art Gates nos contactó, tomamos la decisión de trabajar con ellos para complementar el desarrollo de la banda en aspectos que de forma independiente no hubiéramos podido trabajar de esa manera.


“A Thousand And One Nightmares” se lanzó a finales de 2025 (12 de diciembre), por lo que se encuentran en las etapas iniciales de su promoción. ¿Cuáles son sus planes para 2026?


Este año tenemos una gira en Marzo por la península acompañando a Michale Graves (cerrando en Lisboa) y unas fechas en Francia en Abril, estamos cargados de ilusión deseando desarrollar nuevos proyectos y ver a dónde nos lleva nuestra evolución musical.


Muchas gracias por vuestra disponibilidad.



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São de Madrid, mas o seu nome é alemão: UNRECHT, e em Dezembro de 2025 lançaram o seu álbum de estreia, "A Thousand and One Nightmares", pela Art Gates RecordsCom uma abordagem forte, direta e emocionalmente intensa, onde o metal moderno se entrelaça com uma grande variedade de sonoridades, a banda espanhola, composta por Druma e Und nas vozes, Helm na guitarra, Dek Tri na bateria e Grajo no baixo, falou-nos sobre o seu percurso, o seu processo criativo, as faixas deste álbum de estreia e os seus planos para o futuro próximo.


Unrecht é a palavra alemã para "errado", no sentido de injusto ou ilegal: porque escolheram o idioma alemão e como é que a "transgressão moral e/ou ilegal" se relaciona com a mensagem que querem transmitir?


O grupo começou por ser um tributo aos Rammstein, daí a escolha do alemão. Depois de começarmos a compor, o grupo evoluiu sem que abandonássemos  as nossas raízes.


Quais as principais influências musicais e não musicais dos diferentes membros da banda?


É um carrossel musical; há de tudo, desde música electrónica pura a rap transgressor e, claro, o metal mais agressivo.


Para além da escolha de nomes artísticos (comum no metal industrial), a imagem da banda é também marcada pela ocultação da vossa identidade, que cobrem o rosto com máscaras (excepto a boca). Isto elimina visualmente um lado mais humano das vossas expressões faciais e confere-lhes uma frieza robótica.


- O que significa cada pseudónimo e qual a sua relação com o papel de cada membro na banda? 


Grajo é em homenagem a um ente querido que me iniciou na música. Quando faleceu, decidi que o meu nome artístico seria o seu apelido. Isto cria uma ligação entre a minha personagem, as minhas origens e as minhas memórias. A personagem é muito sentimental; expressa os seus sentimentos no momento, exibindo uma espécie de loucura que todos gostariam de expressar, mas não o fazem por medo da rejeição.


Dek Tri, 13 em esperanto, é um camaleão em palco, adaptando a sua aparência e comportamento de acordo com o tema, o sentimento ou a atmosfera geral da música.


Helm vem de uma adaptação do meu nome em alemão. O meu papel é manter a compostura no meio da loucura do resto da banda.


Druma é um reflexo do passado, incorporando a teatralidade das memórias mais negligenciadas da mente.


Und é uma ligação, representando poder e serenidade com um toque de agressividade em palco.


- Qual a base para a escolha desta imagem facial fria e metálica que elimina grande parte da expressão emocional? 


As máscaras representam o reflexo mais frio, sombrio e aterrador da sociedade em que vivemos.


“A Thousand and One Nightmares” é um álbum de estreia que já se apresenta com a identidade e a coesão de uma banda que sabe o que é e o que quer. Como chegaram a essa identidade, tendo em conta que Unrecht é uma banda formada há apenas 3 anos?


Com o contributo de ideias de todos e a complementaridade do trabalho uns dos outros, conseguimos compor o álbum que estão a ouvir, mas queremos continuar a avançar. Acreditamos que, mesmo tendo encontrado o nosso próprio som, ainda precisamos de desenvolver a nossa identidade musical.


Quais são os mil e um pesadelos que assombram as noites de Unrecht e que levaram à composição das dez canções que compõem o álbum?


O nome refere-se a todos os pesadelos que um ser humano pode ter, traçando um paralelo com a história por detrás do livro As Mil e Uma Noites. Com as letras deste álbum, procuramos explorar as nossas fantasias e medos mais sombrios. 


Apesar de terem utilizado a forma escrita do número 1001 no título do álbum, as dez canções têm nomes curtos, palavras únicas ou anacronismos, como é o caso da canção "ATAON", composta pelas iniciais das palavras do título do álbum. Em Unrecht, nada é ao acaso, por isso gostaria que nos dissessem a ideia/conceito por detrás destas escolhas.


Cada música tem a sua própria identidade, que quisemos destacar individualmente, definindo claramente os conceitos em algumas e restringindo-os noutras da forma mais limpa, simples e eficaz possível.


Se quisermos utilizar rótulos musicais, Unrecht enquadra-se no metal industrial. No entanto, o seu som transcende as fronteiras musicais: misturam riffs poderosos com elementos electrónicos e uma gama de estilos vocais tão diversificada que é difícil acreditar que apenas um duo, Und e Druma, seja responsável por tanta variedade. Como conseguem um equilíbrio no meio de tanta diversidade e como fazem para que tudo soe tão bem e coeso?


Não nos queremos rotular com um único estilo porque, como disseste, tocamos muitos géneros diferentes, o que resulta numa variedade vocal onde ambos os vocalistas experimentaram características novas e fora do que estamos habituados.


Muitas bandas hoje em dia optam pela auto edição do seu álbum de estreia e por um formato mais curto (um EP, por exemplo).  Unrecht, para além de lançarem um LP com dez faixas, fizeram-no através da editora Art Gates Records. O que os motivou a tomar estas duas decisões: coerência, risco ou atitude?


Entre coerência, risco e atitude, duas nos definem e uma não sabemos. A decisão de lançar um LP enquanto estreia foi, em grande parte, para criar algo mais profundo e desenvolver uma narrativa para o trabalho futuro da banda.


Quando a Art Gates nos contactou, decidimos trabalhar com eles para complementar o desenvolvimento da banda em aspetos que não teríamos conseguido desenvolver de forma independente.


“A Thousand and One Nightmares” foi lançado no final de 2025 (12 de dezembro), pelo que está na fase inicial de promoção. Quais são os vossos planos para 2026?


Este ano, temos uma digressão em Março na Península Ibérica como banda de abertura de Michale Graves (que termina em Lisboa) e algumas datas em França em Abril. Estamos cheios de entusiasmo, ansiosos por desenvolver novos projetos e ver até onde nos levará a nossa evolução musical.


Muito obrigada pela vossa disponibilidade.