Ao longo dos anos, atravessaram diferentes fases da cena, do underground analógico ao ecossistema digital atual, dividiram palco com gigantes como Megadeth e Destruction, e mantiveram intacta a urgência na mensagem. O mais recente EP, “inVolution”, surge como mais uma prova dessa vitalidade, abordando temas como a destruição ambiental, a ganância e o colapso moral com a intensidade que sempre caracterizou a banda.
Nesta entrevista, mergulhamos na visão atual dos Distraught, na forma como encaram a evolução do thrash metal e no que continua a alimentar a chama de uma banda que nunca deixou de ter algo a dizer.
Ricardo:Pressão, peso, riffs, refrões fortes e letras que façam sentido. Acho que são fatores que temos todo o cuidado para não perder e que ao longo dos anos esses acabaram sendo preservados naturalmente.
O Ep “inVolution” aborda temas como destruição ambiental, ganância e colapso moral. Sentem que hoje a música pesada tem ainda mais responsabilidade em refletir e confrontar a realidade?
Ricardo:Com certeza. Isso sempre fez parte da essência da música pesada e do rock e suas vertentes. Mas hoje, com tudo acontecendo ao mesmo tempo, essa responsabilidade fica ainda mais evidente. O metal sempre foi um espaço de confronto, de questionar, e continua sendo uma ferramenta importante para expor o que muita gente prefere ignorar.
Partilhar palco com nomes como Megadeth ou Destruction marcou momentos importantes na vossa carreira. Que memórias ou aprendizagens retiram dessas experiências?
Depois de tantos lançamentos, digressões e mudanças no panorama musical, o que continua a alimentar a vossa motivação para criar e levar os Distraught para a frente?
Com uma identidade sonora crua, provocadora e sem concessões, os Last Piss Before Death têm vindo a afirmar-se como um dos nomes mais inquietos da cena underground nacional. Com uma atitude assumidamente irreverente e uma abordagem direta à s temáticas que exploram, a banda constrói um universo onde o caos e a crÃtica convivem sem filtros.
“Resistance” surge como um disco marcado por vários anos de trabalho — o que representa este álbum dentro do percurso da banda?
Pedro Lourenço: Como o próprio nome do álbum indica, significa a capacidade de resistir e não desistir, perante tantas adversidades que foram surgindo.
Natureza Defensiva: Trata-se de um mecanismo de defesa, permitindo o incumprimento de ordens ilegais ou abusivas, tanto de poderes públicos como de sujeitos privados.
Qual a mensagem que queres deixar a quem leu esta entrevista?
Pedro Lourenço: Ouçam muita música e o novo álbum de LPBD. Não se deixem levar por modinhas e tenham um espÃrito crÃtico. Life is too short para andarmos a reboque dos outros.
Edgar Alves: I Wanna thank every one of you – that makes the metal scene Iconic
Su trabajo más reciente refuerza esta trayectoria ascendente, revelando una banda cada vez más segura de su lenguaje y ambición artÃstica.
En esta entrevista, la banda habla abiertamente sobre el nuevo álbum, el proceso creativo y sus expectativas para los próximos conciertos en Portugal.
La verdad es que no hay una explicación demasiado complicada: hicimos un disco doble porque nos apetecÃa hacerlo asÃ. TenÃamos muchas canciones y sentÃamos que era el momento de dar ese paso y no limitarnos a un solo álbum.
A la hora de dividirlo, sà tuvimos claro que querÃamos que fueran dos discos diferentes entre sÃ, pero que al mismo tiempo mantuvieran una coherencia dentro del universo de la banda. Buscamos que cada uno tuviera su propia personalidad, su propio flujo, pero sin perder la identidad global.
Sobre todo en que es un disco que hemos hecho entre todos. Cada uno ha aportado su visión, sus ideas y su forma de entender la música, y eso se nota en el resultado final.
Ahà está realmente la evolución: en el aporte de cada miembro. Es un trabajo más colectivo, más abierto, y eso hace que el sonido de Nurcry crezca y sea más rico que en discos anteriores.
«La Enfermedad» y «Nuclear Goodbye» parecen abordar temas más oscuros y existenciales. ¿Hay algún concepto detrás del álbum?
Es algo bastante habitual en nosotros, como comentaba antes. A la hora de escribir las letras, tanto Kike como yo nos basamos mucho en lo que sentimos en el momento de hacer cada canción.
En parte ya está respondido con lo anterior. Nos basamos mucho en lo que sentimos y en lo que percibimos en cada momento, y eso inevitablemente tiene relación con el contexto que vivimos.
¿Cómo fue el proceso de composición: más colaborativo o aún muy centrado en la visión inicial del proyecto?
Sin duda ha sido mucho más colaborativo. Cada uno aporta lo suyo, su forma de ver la música y eso enriquece mucho el resultado final.
En mi caso, sigo trabajando de una forma parecida: llevo las canciones y se las paso a Juanjo y a Manu, y entre todos las vamos puliendo y mejorando. Al final, en cada tema hay un poco de la visión de cada uno, y eso hace que las canciones crezcan y evolucionen.
Es un trabajo duro, de mucho tiempo, pero precisamente por eso el resultado tiene más profundidad y más personalidad.
Al final, no es más que un reflejo de los extremos que vivimos hoy en dÃa, tanto en la sociedad como en nosotros mismos. Todos tenemos una parte de luz y otra de oscuridad, y eso es algo natural.
¿Estás de acuerdo conmigo si digo que este es el trabajo más ambicioso de la banda hasta la fecha?
Puede ser, pero tampoco es algo en lo que pensemos demasiado. Nosotros siempre intentamos hacer las cosas de la mejor manera que sabemos y podemos en cada momento.
No trabajamos buscando una aprobación concreta ni intentando demostrar nada. Simplemente hacemos lo que nos apetece hacer como banda. Quizá precisamente eso nos da cierta tranquilidad, y al final hace que el resultado sea más honesto y, seguramente, mejor.
En cuanto a Living Tales, fue un grupo que nos recomendaste tú y, por lo que hemos visto y escuchado, tienen mucha pegada y encajan muy bien con el cartel.
Y sobre lo que esperamos de esas fechas… sinceramente, creo que quien no vaya se va a perder una noche mÃtica de metal.
Tocaremos temas de todos los discos, aunque este último tendrá más protagonismo. La idea es ofrecer una visión bastante completa de Nurcry en directo.
Para nosotros son muy importantes, porque es la primera vez que salimos de nuestras fronteras. Es un primer paso en ese sentido, y eso tiene mucho valor para la banda.
Lo vemos como el inicio de algo, una forma de abrir camino fuera y empezar a llevar nuestra música a otros sitios.
Van a encontrarse con algo muy potente. Nosotros siempre lo damos todo en directo, sin guardarnos nada.
De hecho, gran parte de la gente que nos sigue hoy en dÃa nos ha descubierto en conciertos. A quienes nos ven por primera vez les suele pasar lo mismo: se sorprenden y nos dicen que no esperaban algo asÃ.
Al final, creo que esa es la clave: un directo muy intenso, muy honesto y que deja huella.
Quando chegou o momento de o dividir, tÃnhamos a certeza que querÃamos que fossem dois álbuns diferentes, mas, ao mesmo tempo, manter a coerência dentro do universo da banda. QuerÃamos que cada um tivesse a sua personalidade, o seu ritmo, mas sem perder a identidade geral.
E quanto ao inglês, simplesmente surgiu da vontade de explorar novos caminhos. O espanhol continua a ser a nossa base, mas o inglês permite-nos experimentar outros sons e sair um pouco da nossa zona de conforto.
Como decidiram quais as músicas que seriam em inglês e quais em espanhol?
Não foi algo que pensámos ou planeámos estrategicamente, mas sim uma questão de feeling. Experimentámos e vimos o que funcionava melhor e, em algumas faixas, o inglês simplesmente fluÃa mais naturalmente e dava-lhes o carácter que procurávamos.
Em que medida este trabalho representa uma evolução para Nurcry?
É aà que reside a verdadeira evolução: no contributo de cada membro. É um trabalho mais colectivo, mais aberto, e isso faz com que o som dos Nurcry cresça e se torne mais rico do que nos álbuns anteriores.
«La Enfermedad» e «Nuclear Goodbye» parecem abordar temas mais sombrios e existenciais. Existe um conceito por detrás do álbum?
É bastante comum para nós, como já referi. Ao escrever letras, tanto eu como o Kike baseamo-nos muito no que estamos a sentir no momento da criação de cada música.
Em que medida o álbum reflecte o contexto social actual?
Esta questão já foi parcialmente respondida na anterior. Baseamo-nos muito no que sentimos e percebemos num determinado momento, e isso relaciona-se inevitavelmente com o contexto em que vivemos.
Como foi o processo de composição: mais colaborativo ou ainda muito focado na visão inicial do projeto?
Foi definitivamente muito mais colaborativo. Cada um de nós contribui com a sua própria perspetiva, a sua forma de ver a música, e isso enriquece muito o resultado final.
Não trabalhamos à procura de aprovação especÃfica ou tentando provar algo. Simplesmente fazemos o que nos apetece fazer enquanto banda. Talvez seja precisamente isso que nos dá uma certa paz de espÃrito e, no final, torna o resultado mais honesto e, certamente, melhor.
Têm confirmados dois concertos em Portugal, nos dias 8 e 9 de Maio, no Porto e em Lisboa, respetivamente, aos quias se vão juntar duas bandas portuguesas: os lenrdários Tarântula e os Living Tales, um dos projetos mais sólidos e consistentes do metal progressivo português. Como escolheram estas bandas e quais as expectativas para estas datas?
Quanto aos Living Tales, foste tu que nos recomendaste e, pelo que vimos e ouvimos, são incrivelmente poderosos e uma combinação perfeita para o line-up.
E quanto ao que podemos esperar destas datas… sinceramente, acho que quem não for vai perder uma noite lendária de metal.
Haverá alguma surpresa especial ou uma setlist diferente para o público português?
Vamos apresentar um repertório pensado para que o público português nos conheça bem e perceba quem somos enquanto banda.
Encaramos isto como o inÃcio de algo, uma forma de abrir caminho no estrangeiro e começar a levar a nossa música para outros lugares.
Para quem ainda não vos viu ao vivo, o que podem esperar de um concerto dos Nurcry?
Vão vivenciar algo muito poderoso. Damos sempre tudo em directo, sem reservas.
Aliás, muitas das pessoas que nos acompanham hoje em dia descobriram-nos em concertos. Quem nos vê pela primeira vez costuma ter a mesma reacção: fica surpreendido e diz que não estava à espera de algo assim.