Com uma identidade sonora crua, provocadora e sem concessões, os Last Piss Before Death têm vindo a afirmar-se como um dos nomes mais inquietos da cena underground nacional. Com uma atitude assumidamente irreverente e uma abordagem direta às temáticas que exploram, a banda constrói um universo onde o caos e a crítica convivem sem filtros.
O mais recente trabalho da banda é o LP “Resistance”, um álbum que reforça a sua postura combativa e expande a intensidade sonora que os caracteriza, sem perder a urgência nem a frontalidade. Nesta entrevista, Edgar Alves e Pedro Lourenço contam-nos o que está por trás desta nova investida — o que os move, o que mudou, e o que continua perigosamente igual no seu percurso.
“Resistance” surge como um disco marcado por vários anos de trabalho — o que representa este álbum dentro do percurso da banda?
Pedro Lourenço: Como o próprio nome do álbum indica, significa a capacidade de resistir e não desistir, perante tantas adversidades que foram surgindo.
Edgar Alves: o “RESISTANCE” é o segundo trabalho dos Last Piss Before Death quatro anos a seguir do álbum homónimo “LPBD” ambos edição pela Raging Planet Records do Sr. Daniel Mackosch, uma das mais fantásticas editoras em Portugal e em qual nos sentimos muito honrados por fazer parte, pois Portugal tem excelentes bandas e é magnífico o trabalho em prol da cultura nacional o trabalho efetuado desta editora .
Resistance é um Grito de Dor mas também um Uma Sonoridade de Esperança, perante um mundo sempre adverso e no caso de Portugal sempre em crise. Os LAST PISS BEFORE DEATH quiseram fazer algo diferente do que já tinham efetuado - juntar esperança, adicionar novos sons / ambientes para que este segundo álbum sobreviva ao longo da espuma dos dias do caos que vivemos.
O título é bastante directo e carregado de significado — a que resistem os Last Piss Before Death?
Pedro Lourenço: Ser músico em Portugal é bastante complicado. Para podermos ser músicos, temos de ter carreiras e vidas paralelas e precisamos de ter um mercado. O mercado português é praticamente inexistente e as nossas vidas paralelas consomem-nos muito tempo e recursos. Resistir e conseguir sobreviver torna-se quase um feito.
Edgar Alves : O título do álbum é bastante ambíguo, mas no entanto a capa do álbum é um dia-a-dia de qualquer sítio em guerra …. A destruição total com uma flor a surgir como esperança … “RESISTANCE“. Resistir, no contexto da Constituição da República Portuguesa (CRP), refere-se ao direito de resistência, um princípio fundamental consagrado no Artigo 21.º. Este direito legitima os cidadãos a oporem-se a ordens ou atos. Fundamentação Legal: O Artigo 21.º afirma que "Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública".
Natureza Defensiva: Trata-se de um mecanismo de defesa, permitindo o incumprimento de ordens ilegais ou abusivas, tanto de poderes públicos como de sujeitos privados.
“Resistance” é mais emocional e pessoal do que o trabalho anterior? É mais uma reacção ao mundo exterior ou um confronto interno?
Pedro Lourenço: Definitivamente um conflito interno resultante de um mundo exterior cada vez mais desadequado, distorcido e macabro. Fazer e escrever música é a nossa reação ao confronto que acaba por surgir.
Edgar Alves: é uma obra que deu muito trabalho a efetuar, música que chegue às pessoas, ter mensagem, ter musicalidade, mas com a esperança que as pessoas consigam se rever no trabalho efetuado além da espuma dos dias vai ser o grande desafio para este trabalho.
“RESISTANCE “ Não é só o trabalho dos músicos mas o público e que tem nos acarinhado e estado sempre connosco nestes 7 anos de trabalho – após o LPBD álbum homónimo em que falámos sobre violência doméstica no tema “Portugal “ ou “ Devil´s Road” em que fazemos o caminho do Diabo ou “Out Of Luck” em que mencionamos a cultura cancelada “RESISTANCE “ faz uma ponte: Até onde vamos? dá pelo nome de “RESET” e este é nosso 1º single de RESISTANCE
A inclusão de elementos musicais progressivos e atmosféricos, foi uma evolução natural ou uma decisão consciente de ruptura com o passado?
Pedro Lourenço: Foi uma evolução muito natural.
Edgar Alves: Completamente natural … Não temos ruturas com o passado, temos é duvidas com o Futuro… por isso quisemos efetuar o álbum mais fiel possível em um take – como se fazia antigamente em fita –totalmente explosivos e em palco junto ao público
Sem qualquer tik tok ou qualquer clik “RESISTANCE” é uma besta excetuado por músicos para o público.
Como equilibram esta nova abordagem mais atmosférica com a agressividade do thrash/death que vos define?
Pedro Lourenço: Não pensamos muito no assunto. Compomos a nossa música na sala de ensaios e vamos seguindo o instinto. Se estamos a trabalhar num tema e um dia estamos mais cansados que o habitual, é possível que não dê vontade de abrandar e fazer algo diferente… mas não há regras nem padrões no que toca à composição musical.
Existe uma linha conceptual ao longo do álbum ou cada tema funciona como uma entidade independente?
O álbum foi trabalho de 4 anos em palco – “Resistance “ é cada gota de suor
É cada Alma em convulsão – após o LPBD – RESISTANCE É AO VIVO QUE TEM TODA A SUA FORMA – Com os nossos Fans e para eles Tudo !!
“Echoes” ou “Reset” são temas com forte carga simbólica. De que forma se construíram estes dois temas no seio da narrativa de “Resistance”?
“Echoes”, o segundo single faz a ponte do primeiro álbum para o “ RESISTANCE “
Mas Rosa permite-me: é um álbum com Alma, que tivemos muita dificuldade, pois sabemos bem que a música actual quase pouco resiste a 15 segundos na primeira audição. Os próximos singles vão ser mais directos: é um álbum em que qualquer tema podia ser single mas vem ai “ Bells” e “Cry”.
“Echoes” é uma ponte, “Reset” foi um final para dar algo novo pois deu o nascimento ao novo álbum . É o último tema do nosso novo álbum
O disco foi descrito como um “testemunho de persistência” — até que ponto reflecte as dificuldades da banda desde a estreia?
Os Last Piss Before Death fazem algo diferente na música portuguesa: não usam samples, não seguem ninguém – são uma identidade - SÃO PURE DIY PURE ROCK N FUCKING ROLL, que respeitam o seu público – respeitam cada espetáculo como se fosse o último. E brevemente vamos estar juntos !!!! Grato
Pedro Lourenço: reflete as dificuldades que a banda encarou até ao mais ínfimo pormenor. Acho que o intuito da banda existir é mesmo esse, extravasar o dia-a-dia, ter uma forma de lutar. Porque só lutando nos sentimos bem connosco próprios.
Como estão a adaptar as apresentações ao vivo, sendo um disco mais denso e atmosférico?
Pedro Lourenço: Depende um pouco do tempo de apresentação dos concertos. Pode ser uma viagem de altos e baixos ou uma rampa de lançamento onde começamos mais calmos e acabamos um pouco mais acelerados. Por norma fazemos uma previsão do que será o concerto e qual a melhor forma de apresentar a música ao público. O nosso espetáculo é muito aberto. Não estamos presos a rotinas ou máquinas, por isso fazemos o que queremos e até podemos mudar de planos em cima do palco.
No mundo actual onde música e músicos reais se confrontam diariamente com a produção artificial, consideras que música ainda é uma forma de resistência real ou apenas simbólica?
Pedro Lourenço: Aqui vou dar uma opinião muito pessoal; Na música, já há muito tempo que alguns artistas perderam a conexão com a realidade… A música sofreu muito com o excesso de produção digital, que mesmo não sendo IA, acaba por levar ao mesmo resultado: a formatação. Os sons são iguais, os ritmos parecidos, as notas não são muitas e a imaginação muito limitada e balizada por aquilo que está na moda. A IA não vai acrescentar nada de novo, apenas baralhar e voltar a dar. No entanto, a IA consegue resultados mais satisfatórios do que alguém que não tem imaginação. Temos de pensar fora da caixa e tentar fazer o que gostamos sem preconceitos.
Edgar Alves: nos Last Piss Before Death o objetivo é onde forem partirem tudo, cantar, ter um óptimo espetáculo e que todas as pessoas cantem connosco.
Qual a mensagem que queres deixar a quem leu esta entrevista?
Pedro Lourenço: Ouçam muita música e o novo álbum de LPBD. Não se deixem levar por modinhas e tenham um espírito crítico. Life is too short para andarmos a reboque dos outros.
Edgar Alves: I Wanna thank every one of you – that makes the metal scene Iconic
Lets have a Fucking great party.



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